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Otimismo reduz aluguel de ações em janeiro


A perspectiva positiva para a bolsa de valores neste início de ano resultou na queda do aluguel de ações em janeiro, para R$ 63,348 bilhões. Trata-se de um recuo de mais de R$ 20 bilhões em relação à cifra recorde atingida em dezembro de 2011, de R$ 84,767 bilhões.

BOVESPA20Nessa transação, o detentor do ativo “empresta” suas ações temporariamente para investidores ou montarem posições “vendidas”, apostando na desvalorização de preços, ou compor estratégias de arbitragem, com operações de compra e venda para ganhar com a diferença de preço dos papéis, e não com a direção da bolsa.

O aluguel de ações tende a crescer quando a expectativa do mercado é de que o Índice Bovespa ou uma ação específica decline, explica o analista da XP Educação, Marcos Moore. “Muitos fundos de investimentos que realizam operações de arbitragem e investidores individuais tomam papéis para ficar vendidos (ou “short”, como também é conhecida a estratégia). Por isso, o viés de valorização do índice em janeiro explica a queda do volume movimentado em operações de aluguel”, diz. No mês passado, o Ibovespa avançou 11,1%, depois de recuar 18,11% em 2011.

A participação das pessoas físicas entre os doadores de papéis também caiu de dezembro para janeiro, passando de 43,12% – segundo maior percentual da história, perdendo apenas para dezembro de 2001 (64,31%) – para 27,01%. O analista da XP Educação acredita que isso tenha ocorrido porque muitos investidores individuais venderam ações no fim do ano passado, por necessidades financeiras ou porque simplesmente não acreditavam na melhora da bolsa de valores. O saldo líquido (compras menos vendas) de aplicações da pessoa física na bolsa ficou negativo em R$ 7,8 bilhões em 2011 e em R$ 2,4 bilhões em janeiro.

O empréstimo de ações é indicado quando o investidor não pretende vender seus papéis tão cedo, mas quer obter um rendimento extra. Por exemplo, se ele acredita que o papel vai cair, pode disponibilizá-lo para aluguel, com o objetivo de obter um retorno fixo com ele. O doador recebe um percentual prefixado de outro investidor (o tomador), além de uma taxa líquida de 0,05% ao ano sobre o volume emprestado (confira acima como funciona).

O gerente do home broker da Corretora Souza Barros, Daniel Garcia, afirma que o aluguel de ações é uma boa opção de remuneração àqueles investidores que visam ao longo prazo. “Para quem tem um horizonte de investimentos de dez anos, por exemplo, é interessante disponibilizar as ações para doação”, diz.

Uma dica para o doador é acompanhar a evolução das taxas médias para empréstimo praticadas no mercado. No site da BM&FBovespa, no link “Empréstimo de títulos”, dentro de “Serviços”, é possível encontrar tanto as taxas anualizadas recebidas pelos doadores quanto as pagas pelos tomadores, sendo que as referentes a esses últimos são geralmente maiores porque incluem também a comissão das corretoras.

“Vale a pena ficar de olho nos preços recebidos pelo aluguel. A remuneração do doador é menor quando ele disponibiliza papéis muito líquidos – como os preferenciais da Petrobras (entre os dias 9 e 13 de fevereiro, a taxa foi de 0,23% ao ano) ou os preferenciais da Vale (0,46% ao ano)”, afirma Garcia. A razão disso é que, como as taxas são acordadas livremente entre as partes, impera a lei da oferta e da demanda.

Desta forma, quando poucos investidores dispõem de determinada ação para emprestar, a taxa a ser recebida tende a ser maior. Pode acontecer ainda de muitos agentes do mercado estarem apostando na queda de determinado ativo, ampliando a demanda, o que também faz com que a taxa aumente. Assim, eventos ligados à determinada empresa podem fazer os ganhos do doador disparar. No período entre 9 e 13 de fevereiro, destacavam-se as taxas da Marfrig (24,50% ao ano), da JBS (26,36% ao ano) e da TecToy (26,83% ao ano).

O gerente comercial da Ágora Corretora, Helio Pio, recomenda ao doador ficar atento a seus objetivos de investimentos, antes de disponibilizar suas ações para aluguel. “Pode acontecer, por exemplo, de ele precisar do dinheiro e querer se desfazer dos papéis enquanto o ativo estiver em poder do tomador”, argumenta.

A questão é que o doador somente consegue receber de volta o papel antes do prazo acordado com o tomador se o aluguel tiver sido feito na modalidade “reversível ao doador”, segundo informações da Ágora Corretora. Neste caso, o tomador terá três dias úteis após a data da solicitação do doador para devolver os papéis. Se o contrato não estiver enquadrado nessa modalidade, o doador terá de aguardar seu término para ter os papéis de volta.

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