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Bovespa apresenta queda maior que Bolsa de Atenas no presente ano


Um país está à beira do colapso de suas finanças públicas e outro acaba de receber uma melhora da nota de classificação de risco soberano, dentro do grau de investimento. As bolsas de valores, porém, dessas duas nações parecem viver em universos diferentes.

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Enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumula perdas de mais de 11% no ano (-11,37%), sem ainda se beneficiar da avaliação de ambiente ainda mais seguro no Brasil para os investidores globais, a Bolsa de Atenas, na Grécia, registra queda inferior a 10% (-9,79%) em 2011.

Os dados referem-se ao fechamento dos mercados até a última terça-feira. Na quarta-feira, essa diferença aumentou, já que o índice ASE, da bolsa grega, teve queda de 0,32%, enquanto o Ibovespa registrou queda de 0,37%.

Para o economista da Senso Corretora, Antônio César Amarante, o fato é no mínimo hilário e denota a falta de congruência dos mercados no atual momento da economia global. Ele aponta, entre as razões para explicar a discrepância de performance das bolsas brasileira e grega, a concorrência “desleal” da renda variável com a renda fixa doméstica, bem como a escassez de dinheiro novo rumo às ações nacionais – reféns de giros curtos.

Amarante diz ainda que os principais países emergentes vivem à sombra de um cenário incerto sobre inflação e juros, em que o banco central do Brasil e da China, por exemplo, ainda se veem obrigados a apertar suas políticas monetárias. Enquanto isso, economias maduras, como EUA, Japão e zona do euro, mantêm as taxas em níveis extremamente baixos.

Em outra avaliação, o chefe da mesa de renda variável de uma corretora paulista afirma que os esforços das autoridades europeias de evitar um calote desordenado na Grécia, impedindo o contágio das demais economias da periferia europeia, podem justificar o desempenho da Bolsa de Atenas, em relação à Bovespa. “É o prêmio do risco”, ironiza.

Na semana passada, o recém-reformulado gabinete de governo do primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, obteve uma vitória apertada no Parlamento -155 votos a favor e 143 votos contrários- para tentar resgatar a debilitada situação fiscal e econômica do país. Agora, terão de ser votadas as reformas econômicas para o país conseguir a liberação de recursos da linha de empréstimo concedida pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Já o Brasil recebeu, na última segunda-feira, a notícia de elevação da classificação de risco pela agência Moody’s: o rating soberano passou de “Baa3” para “Baa2”, na escala dos países que têm grau de investimento. A perspectiva para a nota do País permanece positiva.

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