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Após corte da Selic os investidores de olho no mercado interno


Analistas recomendam papéis influenciados pelo custo do crédito, como de bancos

BOVESPA20

O corte da taxa básica de juros (Selic) na semana passada — em 0,5 ponto percentual, para 10,50% ao ano — pelo Comitê de Política Monetária (Copom) vai beneficiar as ações de empresas voltadas para o mercado interno brasileiro, como construtoras, varejistas e bancos, afirmam analistas. São os setores mais sensíveis ao custo do crédito no país e que podem se destacar com um clima mais ameno da crise na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Segundo projeções dos economistas, o afrouxamento monetário vai levar a Selic para 9,5% ao ano até dezembro. Uma parte do mercado já acredita que o corte pode ser um pouco maior, para 9% ao ano.

No setor financeiro, as apostas preferidas dos analistas são os papéis preferenciais (PN, sem voto) do Itaú Unibanco e do Bradesco. O papel ordinário (ON, com voto) do Banco do Brasil aparece entre os prediletos. Processadoras de cartão de crédito também ficam melhor na foto, como Cielo e Redecard.

Bolsa mais atraente com menor ganho da renda fixa

— Com o crédito mais barato, as pessoas tendem a procurar financiamento e isso vai aumentar a base da carteira de crédito dos bancos. E com mais escala, a tendência é de melhores margens e resultados das instituições — explica Rossano Oltramari, analista-chefe da XP Investimentos.

E com o financiamento mais barato, o crédito imobiliário tende a se tornar mais acessível, melhorando os resultados de imobiliárias. Neste caso, os papéis preferidos, segundo as carteiras recomendadas pelas corretoras para janeiro, são Brookfield, Eztec, Cyrela e PDG Realty.

No varejo, os destaques são empresas que comercializam bens duráveis (televisores e geladeiras, por exemplo). Ou seja, produtos comprados com crediário. Os mais indicados por corretoras são Lojas Americanas PN, Pão de Açúcar PN e Magazine Luiza ON. Outro sugerido por analistas é BR Malls ON, controladora de shopping centers, beneficiada indiretamente pela receita das lojas.

— É claro que esse retorno vai se refletir nas ações das empresas a médio e longo prazo, à medida que o corte da Selic bater na economia real e aumentar o lucro desses setores — disse Fernando Goes, analista da Octo Investimentos. — No curto prazo, o corte dos juros torna aplicações em renda fixa menos rentáveis. O investidor pode procurar, assim, uma aplicação de risco maior, em busca de um melhor rendimento, o que vai beneficiar a Bovespa.

Dividendos ficam mais atraentes com juro menor

Eduardo Oliveira, analista da Um Investimento, acrescenta que o desempenho das ações vai depender ainda do cenário internacional, principalmente de uma solução para os problemas europeus:

— Os EUA têm mostrado recuperação e a China, uma ação moderada. Os riscos estão na Europa. Se os países da zona do euro começarem a mostrar menor nível de endividamento, sem um calote desordenado e com Itália e Espanha blindadas, podemos ter um ano bom.

Para Leonardo Milane, estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, o cenário de médio e longo prazo da Bolsa ainda exige cautela:

— Ela pode subir, mas não coloco minha mão no fogo. O cenário é incerto e os problemas persistem. Quem garante que a França não terá problemas para rolar sua dívida após o corte do rating?

Segundo Álvaro Bandeira, diretor de varejo de Ativa Corretora, as empresas que pagam bons dividendos — parte dos lucros distribuídos aos acionistas — podem também ser beneficiadas. É o caso da Vale, que pretende distribuir pelo menos US$ 6 bilhões aos acionistas neste ano. Segundo Bandeira, o valor equivale a US$ 1,77 por ação e representa um retorno de 5% aos investidores.

— Muitos investidores compram ações dessas empresas para ter um ganho regular de dividendos. E com a Selic em queda, o rendimento desses papéis fica mais próximo dos juros — explica Bandeira.

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