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A exposição da Bovespa no mercado mundial está cobrando o seu preço


Em uma quinta-feira marcada pelo pânico nos mercados financeiros, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrou declínio de 5,72%. A abertura mais branda nesta sexta-feira, com alta de mais de 1% no início do pregão, não significa que o cenário é de calmaria – tanto que, pouco depois das 11 horas, o índice já caía.

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A oscilação da última quinta foi a segunda maior queda do mundo, atrás apenas da verificada no índice Merval (-6,01%), de Buenos Aires, e bem acima das baixas nas principais bolsas internacionais. No ano, o Ibovespa acumula perda de 23,8%, a mais elevada entre todas as praças financeiras. Mas se as expectativas para a economia brasileira são melhores que os cenários incertos previstos para Estados Unidos e Europa, por que a bolsa paulista está apanhando tanto? A resposta é que a Bovespa é bem mais internacional do que se supõe.

O Ibovespa tem em sua composição um peso muito maior de produtoras e exportadoras de commodities – itens básicos de origem agrícola ou mineral, como petróleo, ferro, soja, etc, que guardam estreita relação com os ciclos da economia global – do que os índices das bolsas dos países desenvolvidos. Enquanto quase metade da carteira da bolsa paulista é formada por empresas de commodities, no índice S&P 500, da Bolsa de Nova York, a proporção não é maior do que 20%.

“Como há uma perspectiva de desaquecimento mundial mais forte, por conta de risco de recessão nos EUA, os investidores começam a revisar a demanda por commodities para baixo. Assim, os papéis das produtoras destes bens começam a cair e puxar o índice geral para baixo”, diz Carlos Nunes, estrategista de renda varável do HSBC. De fato, só nesta quinta-feira, a ação preferencial da Vale, que responde por 11,6% do Ibovespa, cedeu 5,75%.

Outro fator, este bem brasileiro, intensifica esse movimento. Como os juros são altos no país, o mercado de renda fixa – que é composto por títulos privados e públicos, como aqueles negociados pelo Tesouro Direto – fica ainda mais atraente quando a bolsa despenca. Ou seja, uma alternativa para as ações está bem à mão – o que só acelera o declínio do Ibovespa.

“Se o investidor se sente desconfortável e não vê perspectiva na renda variável, acaba apostando na renda fixa”, diz Clodoir Vieira, economista da corretora Souza Barros. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o Ima Geral – índice que mede a rentabilidade dos títulos públicos – ganhou 6,09% no ano.

Por fim, o desempenho ruim nesta quinta-feira foi aprofundado pelo que é conhecido no mercado como ‘efeito manada’. A saída de grandes investidores das bolsas, que já penaliza as ações, torna-se um incentivo a mais para que outros decidam vender seus papéis. Todos se movem, num ambiente de incerteza, para ativos considerados seguros, como os títulos do Tesouro americano (que até terça-feira, ironicamente, corriam o risco de dar calote), o ouro e o franco suíço.

Perspectivas – Apesar da queda ininterrupta que já dura duas semanas, o índice da Bovespa está dentro do patamar que os analistas consideram sustentável, entre 50.000 e 55.000 pontos. Em outras palavras, a “correção” (movimento de queda) que hoje se verifica no país estaria com os dias contados. Poucos foram os especialistas que consideraram que as empresas brasileiras ainda estariam caras, como no ano passado. Já não há mais muita gordura para queimar.

Para Richard Wahba, executivo chefe do Banco Fator, a bolsa pode até se recuperar no curto prazo. “Assim que as empresas brasileiras começarem a divulgar seus resultados financeiros, elas poderão comprar suas próprias ações para a tesouraria. Como elas estão bastante capitalizadas, provavelmente vão fazer isso e esse movimento vai ajudar a sustentar a Bovespa”, prevê.

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